Depois do BurnUp e BurnDown, o BurnOut

No mundo global as empresas procuram ter mais "qualidade" (tentam demonstrar que o que dizem e o que fazem são idênticos), agilidade e leveza para promover a competitividade e aumentar a rentabilidade (pessoas fixes desde que tragam resultados dos bons). A "eficácia operacional" surge associada a fusões, redução de custos operacionais, maior "qualidade" e rapidez na produção e são sinónimos dos novos tempos, mas as consequências desta demanda revelam-se com a perda da razão primeira da sua existência .

O que justifica a principal razão de ser ou de existir de uma empresa deve ser em estar focada na estratégia. Porque que razão ela existe (o WHY) Quais são os mercados e os clientes que serve? Essa deve de ser a primeira estratégia empresarial e só depois uma maior eficácia operacional. O (HOW) como fazer para ter bons produtos e serviços que os Clientes precisam e quais (o WHAT) a forma que esses produtos ou serviços devem ser e ter, para atingir para a nossa razão de comprar não o que vendes mas a razão pela qual o vendes. O ser rentável, a distribuição de dividendos não pode ser a razão ultima de existir mas apenas a forma como se procura continuar em actividade.

Dois tipos de organização evidenciam de forma macro o mundo actual, as organizações cientificas e as económicas e apesar de terem objectivos e estratégias muito dispares, muito esforço tem sido feito para a sua complementaridade.

As organizações cientificas trabalham em grupos pequenos, tem uma visão clara dos objectivos preocupam-se em divulgar de forma transparente todos os resultados que obtém. A possibilidade de replicar os conhecimentos em qualquer parte do mundo faz parte das regras do jogo. Trabalham no essencial para a compreensão cientifica e nunca se desviam desse objectivo. O segredo só faz parte do negocio até certo ponto, a base do seu trabalho reside em não perder de vista os seus objectivos (estratégias - o porquê) e procurar manter-se focado neles. São grupos muito conhecedores do seu trabalho, muito motivados que partilham uma clara visão dos objectivos e que assim, tudo discutem procurando novos caminhos para as suas experiências. Uma rede de problemas para uma rede de contatos.

Entendem e descobrem o problema - a necessidade, procuram a causa do problema! Por isso o sucesso, resolvem um verdadeiro problema! Claro que não gerem ciclos de vida de produto e como tal a parte operacional ficará a cargo de terceiros, as organizações económicas.

As organizações económicas por outro lado fundamentam-se em bases opostas. Raramente trabalham em grupo, o segredo é a alma do negócio, a visão dos objectivos para alem do retorno do investimento raramente é claro, procura-se usar a publicidade e a qualidade como forma de dar uma marca de seriedade no trabalho da equipe, do produto ou serviço. O Why é simples e direto - "Show me the money!"

Mas organizações mais antigas, as que sobrevivem a mais tempo são aquelas cuja estratégia é a mais clara para os todos. O exemplo mais paradigmático reside nas Forças Armadas. Todo o soldado sabe a sua razão de existir, "Morrer pela pátria", é uma mensagem clara e simples que se transforma em estratégia. Para um militar no teatro de operações são necessários três no apoio. Tudo o que fazem é por esta razão! O que estiver fora do porquê, não fazem! Não fosse a política e as Forças Armadas seriam um HRO (High Reliable Organization) em toda a sua plenitude.

Quantas empresas tem uma estratégia tão clara e simples como esta? Apenas as muito bem sucedidas...

Será possível fundir estas duas formas de trabalho numa altura onde se reclama para a ciência uma arma de desenvolvimento global? O que devemos fazer nas equipes económicas para as aproximar da forma de trabalho das equipes da científicas?

A resposta pode ser procurada na biologia animal. Somos seres que resultam de loops biológicos simples ou complexos que tem de se equilibrar sob o risco de implodir se não o conseguirem. A nível celular, a nível de sistemas mais complexos com feedbacks positivos e negativos, a nível social onde a interação e sinalização cria efeitos positivos e negativos mediados por neuro-hormonas, a nossa necessidade de equilíbrio é decisiva para o bem estar individual e coletivo. (Pesquisar: EDSO + C, Simon Sinek)

As organizações podem ser vistas também como loops de instabilidade permanente, como um tripé, onde a estabilidade deve ser procurada no equilíbrio de todas os pés. E se a base de assento pode ser definida como conhecimento, aquilo que cada um sabe e partilha na organização, os três pés sustentam-se no conhecimento profundo da organização , numa vontade permanente de dialogo entre o seu pessoal e uma visão clara de objectivos.

A construção de um grupo neste ambiente é a resposta capaz de criar confiança num projeto de mudança. Visão, grupo e conhecimento são as bases a desenvolver para se obter resultados. Mas atenção, porque o desequilíbrio está sempre presente, a desconfiança promove-se com facilidade e o desenvolvimento de um “burnout” cria as condições para minar o trabalho.

A 10 dias do Scrumday estamos quase em burnout ... Estamos felizes e faremos pelo menos mais uns quantos posts até final do ano, depois as merecidas férias e apenas ficam os numeros .... desta vez os do telefone para desejar muita saúde e sorte!

Ab, JP e HL

Mário Pecegueiro