Organizações que confundem o líder e o gestor

É habitual as organizações confundirem o líder e o gestor de forma muito evidente. Se o líder é quem se posiciona numa visão clara sobre o futuro da organização, já o gestor tem a responsabilidade dos problemas complexos do dia a dia. Apenas nas Forças Armadas em períodos de stress é que se evidencia a liderança, porque a gestão é feita antes ou após o stress. Em situação de guerra não é possível qualquer preocupação com a gestão. Nestas alturas um líder que manifesta amor pelos seus colaboradores e apenas se centre na missão e bem-estar do pessoal é o essencial.

Nas situações do dia a dia a confusão entre liderança e gestão origina a longo prazo maus resultados para a organização. Poucas pessoas no mundo conseguem fazer bem o duplo papel, porque conseguir estar em campo com as preocupações do dia a dia e sair do jogo e analisar o campo onde se desenrola a partida não é uma tarefa fácil.
No caso dos futebolistas, muito raramente um grande jogador, dos que vêem o jogo e antecipam os movimentos da equipe e os da equipe adversária se afirma como líder. A intensidade do seu envolvimento impede-os de ter uma visão de fora do campo.

E esta mistura de liderança e gestão desencadeia em organizações complexas uma resposta de enquistamento nos colaboradores muito idêntica há existente na Natureza sempre que as condições ambientais são deficientes. Os animais enquistam, reduzindo o seu consumo de energia e criam uma capa protectora até que todo o ambiente volte a ser propício para o seu desenvolvimento.

O encerramento dentro de si próprio com menor vontade de trabalhar, de sair mais cedo ou prolongar o almoço, ou a incapacidade de ser eficaz ou inovador com os colaboradores habituados a observarem e solicitarem à liderança que decida por eles e que lhes diga como resolver os problemas do dia a dia é o sinal evidente deste enquistamento.

O objectivo torna-se assim o de criar uma visão realista ainda que com uma qualidade vulgar, a partir de ideias de negócio bem conhecidas. O que torna uma visão crucial não é a originalidade mas de que maneira ela serve os interesses de todos - accionistas, clientes e colaboradores - e de que forma ela pode ser traduzida numa estratégia realista. Uma má visão necessariamente ignora uma parte dos interessados e dos seus direitos.

Pretendo dedicar o meu tempo a servir aqueles que procuram fazer, compreender e entender a razão pela qual fazemos o que fazemos, desta forma os que estão alinhados contribuem avidamente e os outros... bem os outros terão de encontrar o seu caminho. Enquanto soubermos o que fazemos sabemos focar e priorizar o que é importante, caso contrário essa visão difusa afasta-nos uns dos outros. O líder deve manter estas duas linhas alinhadas.

Um é nenhum e dois são um!

JP e HLo

AGILE21 IN